sábado, 22 de março de 2008

Carta para os meus amigos

Em abril de 2006, quando fiz minha estréia nos palcos no musical Rent, em Brasília, escrevi uma carta para os meus amigos na qual os convidava para ver o espetáculo. Na carta, além do convite com as informações básicas do tipo hora, local, preços...eu tinha que dar algumas explicações sobre minha súbita mudança de planos. É que todos me conheciam como a Bia jornalista, só que de repente, não mais que de repente, eu decidi ser a Bia artista.

Alguns já sabiam que eu estava envolvida com o projeto desde outubro de 2005, mas para outros foi uma grande surpresa. Enfim, essa carta teve tanta repercussão, eu recebi tantos telefonemas, mensagens e e-mails emocionados que eu decidi publicar a carta aqui no meu blog na íntegra. Teve amigo meu que disse que até chorou. **rs.....

Escrevi a carta com toda sinceridade e com tudo que estava no meu coração, mas só quando recebi as respostas e, hoje, quando eu leio a carta de novo e que eu vejo como minha vontade de ser artista era enorme. Era tão grande que nem eu mesma tinha noção de como minha Bolsa era pesada. Bom, para entender esse negócio da bolsa é só ler minha postagem "Vontade de escrever" ou ler a carta até o final que, é sim enorme, pois eu não sou nada objetiva. ***rs....

Detalhe: Quando eu escrevi a carta eu nem sabia que eu ia entrar mesmo no palco. Recebi a notícia no dia seguinte que faria a apresentação de sábado. É que, a princípio, eu estava participando só de "observadora" e só entraria para cantar uma única música com o coro. Bom, mas essa é outra longa história que fica para outra postagem.

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31 de março de 2006

Oi, amigos lindos!!! É chegada a hora da minha estréia nos palcos. Para quem não sabe, esse é o projeto com o qual eu estava entretida desde outubro do ano passado e que mudou muito a minha vida: Rent!!!

Mudou porque o projeto é um musical lindo, com músicas maravilhosas e que falam de amor incondicional e sem preconceitos. E quem não quer isso, né? Mudou também porque eu conheci pessoas maravilhosas e fiz novas amizades que eu espero que durem para sempre. Mudou porque me abriu as portas de um mundo novo....o mundo artístico de Brasília. E por último, mas não menos importante, é que eu descobri agora - e esse desejo vem com força total - que: "This diva needs her stage". Traduzindo para quem não sabe inglês: "Essa diva precisa do seu palco". Eu preciso cantar, dançar, atuar...eu preciso disso para viver...para respirar. É tudo que eu sempre quis e agora eu posso investir para, quem sabe um dia, viver só disso.

Para quem estiver assustado e achar que tudo isso é fogo de palha ou que nunca tivessem me imaginado fazendo isso, quero dizer que eu sempre amei muito tudo isso e sempre acreditei que eu tinha talento para a coisa. Só não saía por aí falando, pois sem querer, as pessoas acabam fazendo você desistir dos sonhos...com uma palavra...um gesto...um leve traço de discrença...um: quem disse que você tem talento para isso?....sei lá...tanta coisa. Então, guardei esse sonho para mim e para muito poucos...e mesmo assim...desses poucos..sei que poucos acreditaram e levaram fé. **rs....Mas enfim...eu levo muita fé em mim sim, pois agora que eu estou nesse meio, tem muita gente para me dizer o quanto eu sou talentosa e o que eu estava fazendo todos esses anos da minha vida que não estava investindo nisso.

Eu só não tinha ainda tempo nem dinheiro para investir...é agora, isso é prioridade. Eu estou me desconstruindo...me reiventando...sempre....é muito bom. Quem ainda não fez isso, deve fazer um dia.

Esse é o primeiro projeto que eu participo. Eu comecei de ouvinte apenas e agora sou substituta de uma personagem. E como valeu a pena cada dia que eu fiquei ali apenas observando, conhecendo as pessoas e aprendendo. Para vocês terem uma idéia, a diretora do espetáculo é uma mexicana super talentosa que já fez vários musicais no México.

Enfim, o fato é que eu só entro no palco se a pessoa que eu substituo não entrar. Mesmo assim, entro todos os dias para cantar uma música com o coro em determinado momento do espetáculo...um momento que toda a companhia canta. Eu gostaria muito que vocês fossem. Não só para me ver cantando cinco minutinhos, mas porque o espetáculo todo é muito lindo mesmo. Garanto que vocês vão se sentir na Broadway.

Enfim, quero agradecer a todos os meus amigos que algum dia me disseram que eu tinha talento, que eu estava perdendo tempo e deveria investir ou simplesmente me disseram que eu tinha uma voz linda. Principalmente a Jully (minha amiga de faculdade) que sempre levou a maior fé em mim e ficava me escutando cantar todas as vezes que a gente ia e voltava da faculdade, né, amiga? Você não faz idéia do quanto essa sua crença em mim foi e é importante na minha vida. Você faz parte do meu show e vai fazer sempre, viu!!!! Agradeço também a minha mãe e meu pai por nunca terem brigado comigo por todas as milhares de vezes que eu assisti o filme: Sete noivas para sete irmãos. É um musical, gente. Para vocês verem como eu já gostava desde pequenininha. **rs.....

Bom, esse é o primeiro de muitos que ainda estão por vir....eu espero. Quem sabe no próximo eu não tenha um papel definitivo, né. Que venham minhas próximas audições. Uhuuuuuuu

Bom, deixa eu terminar esse tratado aqui. Vocês sabem que eu não consigo ser objetiva. Eu falo muuuuuuito e escrevo muuuuuuuito também. **rs..... São as minhas vontades que eu não quero esconder mais. Como no livro A Bolsa Amarela, da Lygia Bojunga. Clássico da minha infância e um dos livros que eu mais gosto até hoje. A menina tinha essa bolsa amarela que ela guardava as vontades dela que eram: de crescer, ser menino e de escrever. Cada vez que uma vontade crescia, a bolsa ficava pesada. Pois é...a minha bolsa, que antes era muuuuuuuuuito pesada, e quem me conhece sabe que só ando carregada de tralhas (kkkkkkkkkkkkkkkkk) agora está muito leve, porque eu já coloquei todas as minhas vontades para fora: de dançar, atuar, escrever, falar muuuuito, ser muuuuuuuito subjetiva e, principalmente...CANTAR E CANTAR E CANTAR.

Amo muito vocês e gostaria de ver todos lá!!!
Beijinhos....
Bia

Vontade de escrever

"Escrever ajuda a compreender melhor as emoções". Li essa frase na revista Vida simples de Abril (2008) de uma colunista que estava se despedindo de sua coluna depois de quase quatro anos. Bom, essa foi a frase motivadora para eu começar definitivamente meu blog. Tenho ele desde julho de 2007 e nunca postei nada. A desculpa é sempre a falta de tempo, né? Bom, mas eu não quero mais dar desculpas...eu quero e vou ter tempo para fazer tudo o que para mim é importante e me deixa feliz. E escrever, definitivamente, é umas das coisas que me deixa muito feliz. Além de me ajudar sim a compreender melhor minha emoções.

Acho que tudo é uma questão de administrar melhor meu tempo. Além do mais, é uma forma de matar um pouco da minha saudade de ser jornalista. Não que eu não ame ser atriz, cantora e bailarina. Mas quem me conhece sabe: eu quero tudo, ao mesmo tempo e AGORA!

Foi difícil escolher por onde começar...são tantos os assuntos que eu quero (e vou) escrever. Mas vou começar falando sobre um dos meus livros favoritos que é A Bolsa Amarela, da Lygia Bojunga. Tá, ele é infato-juvenil, mas eu adoro até hoje. O livro conta a história de uma menina que reprimi três grandes vontades (que ela esconde numa bolsa amarela) – a vontade de crescer, a de ser garoto e a de se tornar escritora. O mais engraçado é que cada vez que uma vontade fica maior, ela sente a bolsa mais pesada e a dificuldade de carregar. Claro, tudo em sentido figurado, mas quando você lê o livro, você sente junto com a menina o peso. E ela carrega a bolsa para todos os lugares. Só disso eu já me identifico com ela porque eu ando sempre com uma bolsa enorme. Aliás, uma, duas, três...a refugiada como diria meu amigo Sandro Sabbas. Era assim em Brasília e não mudou aqui em São Paulo.

A minha bolsa amarela anda bem pesada ultimamente. É por causa da vontade de escrever. Antes ela era mais pesada, pois a vontade era de cantar, dançar, interpretar...enfim, estar no palco. Essas vontades têm muito tempo que deixaram de pesar. Desde outubro de 2005 para ser mais precisa quando eu entrei no projeto do musical Rent em Brasília. Agora, de quinta a domingo, faço todas essas coisas no musical Miss Saigon, no Teatro Abril, em São Paulo. Como minha vida mudou em tão pouco tempo...como minhas vontades mudaram. É que a gente tem sempre tantas vontades, né? E quando finalmente conseguimos preencher isso, novas vontades surgem. Muito normal.


Espero que com esse espaço eu consiga estar mais perto de todos os meus amigos. Perto dos que estão longe e dos que não estão tão longe assim. Quem sabe também trocar idéias com outras pessoas. Adoro um debate, uma boa discussão. PS: Minha bolsa agora está bem leve. Até que venham novas vontades.